Brevíssimo Discurso sobre a Sabedoria
Vivemos em tempos desafiadores. Todas as leis podem ser questionadas, ou pelo menos deveriam ser, enquanto livres pensadores tentam resolver os problemas do cotidiano. Há quem diga que a verdadeira ciência nasceu com o surgimento da física como disciplina, porém se esta tem como foco o estudo da natureza e seus fenômenos, e estes preexistem ao próprio homem, como é possível definir quando tudo começou? A prepotência do homem não conhece limites, isso sim é um fato.
A atual quantidade de informação disponível é impossível de ser completamente absorvida pelo cérebro humano, porém a capacidade de discernir a qualidade delas continua sendo um critério essencial para diferenciar alguém "útil" de alguém "equilibrado". E, aqui, voltamos uma vez mais a falar do amor, sentimento original e motivador desta série de discursos.
O simples desejo de reconhecimento leva diversas pessoas a consumir quantidades progressivas de dados, que no fim das contas transformam-se em lixo mental. Enquanto isso, alguns marginalizados da sociedade - ou apenas seres fora de enquadramento - realizam verdadeiras transformações em suas vidas e na realidade daqueles que amam, pois vão diretamente ao atendimento das necessidades mais básicas.
O verdadeiro sábio, portanto, não é aquele que tem apenas muito conhecimento, mas sim quem consegue fazer o outro enxergar aquilo que ele mesmo não vê, pois afinal a realidade é formada a partir da construção social de saberes. Assim, quando os grandes filósofos (amantes do saber) afirmam suas limitações a respeito da Sabedoria, estão apenas atestando que a humildade é o primeiro passo nessa escada que dá voltas e voltas. Isso não significa que estamos fadados à ignorância, longe disso, e sim que é necessário contemplar "a beleza de ser um eterno aprendiz" e jamais esquecer da Esperança (Próximo discurso), visto que dela surge a renovação.

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