Brevíssimo Discurso sobre a Confiança
Há sentimentos que brotam sozinhos, outros são forçados e há aqueles que precisam ser semeados, cultivados e cuidados permanentemente. Este é o caso da confiança, possivelmente o desdobramento mais sutil do amor. O que isto quer dizer? Simplesmente que na existência do amor, a confiança é um pressuposto, mas que ela pode enfraquecer ou desaparecer e mesmo assim o amor continua presente, porque a confiança é silenciosa, como uma pedra, pode ser firme, desestruturada leva um longo tempo para se recompor.
No post anterior, no qual teci algumas palavras sobre a coragem, mencionei a necessidade de falar sobre a confiança para entender seu valor. Isso acontece porque geralmente se pensa na coragem como um sentimento que se expressa em ação no mundo exterior - fora do mundo das ideias do indivíduo -, porém há um processo prévio que faz da confiança um elemento essencial para a existência da coragem.
A importância do amor-próprio, da amizade e da sinceridade consigo mesmo também já foram tratados neste blog. Esses sentimentos dão sustentação para que a confiança se instale e tenha capacidade para levar a coragem individual a se manifestar em força de vontade. Ações não baseadas na confiança são violência, pois esta se conforma como uma tentativa de mostrar algo que convença o próprio autor da ação de que sua existência faz sentido, sendo a vítima um mero meio para esse fim.
Como um dos sentimentos mais relacionais, isto é, que têm sua existência baseada nas relações sociais, a confiança não pode ser conquistada se aquele que a deseja não exibir a sua parte. Ainda que cada pessoa tenha seu jeito particular de demonstrar seus sentimentos, conforme afirmado acima a confiança é algo sutil, na maior parte das vezes não requerendo palavras, então cabe a cada um utilizar da sua coragem e ser sincero em suas atitudes.
Em um planeta cada vez mais violento, a desconfiança acabou se tornando um padrão, desde as relações do homem com o Estado até às relações mais íntimas. Neste ponto, a Sabedoria para discernir as situações torna-se um artigo necessário e raro, ainda que amplamente disponível, e será o tópico do próximo discurso. O livre-arbítrio de cada ser humano continua sendo mal utilizado, isto não quer dizer que ele seja inútil ou falso. Confiar nas instituições, na humanidade e em si mesmo é uma escolha que pode ser feita a qualquer momento e a sua reação gera o chamado Efeito Borboleta, a escolha pelo inverso também, então...

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